Nenhum rosto é igual dos dois lados, e não era pra ser. Vamos conversar com calma sobre o que é normal e o que merece atenção de verdade.
Ela entrou na ótica com os óculos na mão, pedindo desculpa antes mesmo de explicar. Disse que devia ter sentado em cima sem perceber, porque aquilo vivia torto. Escorregava de um lado, subia do outro, e ela passava o dia empurrando a armação com o dedo. Já era o segundo ajuste no ano.
A moça do balcão colocou os óculos numa superfície reta, olhou de perto e devolveu com a maior naturalidade do mundo: a armação está certinha, o que acontece é que o seu rosto é um pouco diferente de um lado pro outro, como o de todo mundo. Falou como quem comenta o tempo lá fora e seguiu para o próximo cliente.
Ela foi embora com aquela frase rodando na cabeça, e naquela noite começou a reparar em coisas que nunca tinha reparado: uma sobrancelha mais alta, um lado do sorriso que sobe primeiro. Veio então a pergunta que me chega tantas vezes: o meu rosto sempre foi assim, ou está ficando torto agora?
Nenhum rosto é igual dos dois lados
Se essa cena parece um pouco com a sua, amada, vou começar pela parte que costuma trazer alívio imediato: rosto perfeitamente simétrico não existe. Não existe nas minhas clientes, não existe nas mulheres que você admira na televisão, não existe em mim. O corpo inteiro é assim, um pé é um tiquinho maior que o outro. O rosto segue a mesma regra, só que fica exposto o dia todo, e por isso a gente olha pra ele com uma lupa que não usa pro resto do corpo.
Quando alguém me diz que descobriu isso adulta e levou um susto, eu costumo responder que não foi o rosto que mudou naquele dia, foi o olhar.
Por que ela aparece mais com o tempo
Tem uma parte que eu não vou esconder de você: a assimetria costuma ficar mais visível com o passar dos anos. A primeira razão é que a sustentação do rosto, aquela base firme que segura tudo no lugar por baixo, não cede no mesmo ritmo dos dois lados. Basta um deles ceder um pouquinho antes pra que a diferença de sempre fique fácil de ver.
A segunda é que o peso do rosto muda de lugar com o tempo. O que preenchia a parte de cima da bochecha vai escorregando devagar para baixo, e também não escorrega igual dos dois lados. É por isso que tanta mulher me conta que sente um lado mais pesado, mesmo sem ter mudado nada no corpo.
A terceira razão está no uso. A gente mastiga mais de um lado, dorme com a mesma face no travesseiro, sorri puxando mais para um canto. E tem a pele, que registra o que a gente viveu: o lado que pega mais sol na janela do carro por vinte anos não envelhece igual ao outro. Repare que em nenhuma dessas razões aparece culpa sua. Você não falhou em nada, é o corpo mudando de fase.
Rosto vivo não é rosto simétrico. É rosto que se move.
O que eu olho antes de dizer qualquer coisa
Quando uma cliente senta na minha frente preocupada com isso, eu não respondo de imediato. Primeiro eu olho o rosto parado, na luz certa, entendendo a forma e onde a sombra cai de cada lado. Depois eu olho o rosto em movimento, e essa é a parte que quase ninguém espera: peço pra você sorrir, falar, franzir a testa. Porque rosto ninguém usa parado. Você vive o seu conversando e rindo, e é assim que as pessoas que te amam enxergam você.
Em terceiro lugar eu toco, porque a mão percebe o que o olho não vê. E, por último, eu escuto o que você sente, que é a parte que decide o resto. Existe diferença enorme entre uma mulher que percebeu a assimetria ontem e achou curioso, e uma que evita ser fotografada de um lado há anos. O rosto pode ser parecido nos dois casos. O cuidado certo, não.
Quando não precisa tratar nada
Na maior parte das vezes que esse assunto aparece na avaliação, a resposta honesta é: não precisa mexer nisso. Um rosto levemente diferente de um lado pro outro é o que faz ele parecer um rosto de verdade, e não um desenho de computador.
E eu preciso ser bem clara aqui: o meu trabalho não é deixar os dois lados idênticos. Na maioria das vezes, o que eu busco é deixar o rosto mais simétrico, não uma cópia perfeita de um lado no outro. Perseguir identidade perfeita entre os lados é um dos caminhos mais rápidos para aquele resultado artificial que toda mulher teme, porque pra igualar por completo é quase sempre preciso colocar mais do que aquele rosto pedia. O que eu procuro é equilíbrio: um rosto mais simétrico, que se sustenta bem e se movimenta bem, com o jeitinho que sempre foi seu.
Quando vale olhar com atenção
Existe um caso em que eu peço que você não espere, e ele não é estético. A assimetria que a gente estuda com calma é a que apareceu devagar, ao longo de anos. Quando um lado do rosto muda de repente, em horas ou em poucos dias, com o canto da boca caindo, dificuldade de fechar o olho, dormência ou fraqueza para mexer aquele lado, isso não é assunto de estética. É hora de procurar atendimento médico na mesma hora.
Existe também um segundo caso, bem diferente: quando a diferença é pequena aos olhos de todo mundo, mas ocupa um espaço enorme na cabeça de quem tem. Quando a mulher deixa de aparecer em foto, escolhe onde sentar na mesa para esconder um lado, ou passa muito tempo do dia se examinando. Aí colocar produto raramente resolve, porque o incômodo não estava ali. Eu prefiro conversar com calma antes, sem pressa.
E quando faz sentido cuidar
Quando a diferença incomoda no dia a dia e tem uma razão clara por trás, existe o que fazer, e quase sempre é menos do que a pessoa imagina. Às vezes o caminho é devolver apoio no lado que perdeu sustentação antes, que é o trabalho de estrutura, o coração do Skin Structure dentro do Método Bélla Natural. Às vezes é acalmar uma força muscular que ficou mais forte de um lado só. E às vezes nem era estrutura, era pele, e aí o cuidado certo é qualidade de pele, não volume.
O que eu nunca faço é prometer que os dois lados vão ficar idênticos. Não trabalho com garantia, e desconfie de quem trabalha. O que eu faço é estudar o seu rosto inteiro antes, explicar o que encontrei em palavras que você entenda e decidir junto com você.
Vamos olhar o seu rosto com calma
Se um lado do seu rosto vem te incomodando e você não sabe se é normal ou se merece cuidado, o primeiro passo é uma avaliação facial. Eu estudo o seu rosto por camadas, parado e em movimento, e decidimos juntas o melhor caminho pra você.
Agendar minha avaliaçãoAquela cliente dos óculos continua com um lado do rosto diferente do outro, porque isso nunca foi um defeito pra corrigir. O que mudou foi ela ter entendido o que era normal e o que valia cuidar. Sua beleza não envelhece, ela amadurece, e amadurecer também é parar de brigar com o que o espelho sempre mostrou. Você já tinha reparado nesse lado diferente, ou só reparou quando alguém comentou? Me conta.
Dra. Camile Maes é fisioterapeuta dermato-funcional e atua com harmonização facial em Curitiba. São mais de 20 anos de trabalho com pele e rosto, hoje reunidos no Método Bélla Natural, com o mesmo princípio de sempre: olhar cada rosto como um estudo e respeitar quem a mulher já é.
Escrevo aqui o que eu diria pra você sentada na minha frente, com calma e com honestidade.
