Quando um rosto não fica bom, quase nunca é por causa do produto. É por causa do que ninguém olhou antes.
Acontece com alguma frequência de uma mulher sentar na minha cadeira e, antes mesmo de dizer bom dia, virar o celular pra mim. Na tela, uma foto do próprio rosto de alguns anos atrás. Ela olha aquilo e diz, quase pedindo desculpa, que gostaria de voltar a ser aquela pessoa ali. Não aconteceu nada grave com ela. Ela fez procedimentos, cada um em um momento, às vezes em lugares diferentes, e nenhum deles conversando com o outro. O resultado é um rosto que ficou estranho pra ela mesma, sem que ninguém consiga apontar exatamente o que mudou.
O que a gente quer dizer com "deu errado"
Quando você digita isso na internet, aparecem as histórias mais assustadoras. Mas na vida real, na maior parte das vezes, deu errado é uma coisa bem mais silenciosa do que isso. É o lábio que ficou pesado demais pro tamanho do rosto. É a maçã que subiu e deixou o olhar diferente. É a testa que perdeu o movimento e levou junto um pouco da expressão. É a sensação de estar bem numa foto de frente e estranha na foto de lado.
Repare que nenhuma dessas coisas é um acidente. Todas elas são decisões. E é por isso que dá pra conversar sobre elas com calma, sem drama, porque o que se decide também se pode decidir de outro jeito.
Motivo um: a decisão veio antes do estudo
Esse é o motivo mais comum de todos. A cliente chega apontando um incômodo, o profissional trata aquele ponto, e ninguém parou pra olhar o rosto inteiro antes. O problema é que o rosto não funciona em pedaços. Quando você coloca volume em um lugar, muda a sombra do lugar vizinho. Quando tira o movimento de uma região, a região de baixo passa a trabalhar mais. Tudo ali é conectado.
Tem ainda um detalhe que quase ninguém comenta: o espelho de casa é plano, e o seu rosto não é. Você se olha de frente, e o tempo aparece primeiro no perfil e no ângulo de três quartos, que é justamente o ângulo que as pessoas ao seu redor veem o dia inteiro e que você quase nunca olha. Por isso, na avaliação, eu não olho uma foto parada. Olho o rosto por todos os lados, em movimento, falando, sorrindo, em repouso.
Motivo dois: a pressa de resolver tudo de uma vez
O segundo motivo é a ordem trocada. Existe uma vontade muito humana de resolver tudo numa sessão só, e existe um mercado que responde a essa vontade oferecendo o pacote pronto. Só que o rosto tem tempos. Tem hora em que a pele precisa de calma antes de precisar de estímulo. Estimular é um pedido que se faz ao corpo, e esse pedido chega numa hora ruim quando a pele está sensível, irritada ou com a proteção fragilizada.
Fazer tudo junto também tira de você a coisa mais valiosa que existe nesse caminho, que é enxergar o efeito de cada etapa antes de decidir a próxima. Quando se faz uma coisa de cada vez, com intervalo, dá pra olhar, ajustar, respeitar o que aquele rosto respondeu. Quando se faz tudo de uma vez, só resta torcer.
Não existe fórmula mágica para o rosto, existe protocolo feito de forma personalizada.
Motivo três: o rosto de outra pessoa como referência
O terceiro motivo é mais delicado, porque ele começa fora do consultório. É chegar com a foto de alguém e pedir aquele resultado. O que faz um rosto ser bonito não é ter as medidas de outro, é ter as proporções dele funcionando entre si. Quando alguém tenta encaixar toda mulher no mesmo modelo, o resultado até pode ficar bonito na tela do celular, mas fica estranho na vida real, porque não pertence àquele rosto. É assim que várias mulheres diferentes acabam ficando parecidas umas com as outras.
Como se evita, na prática
Eu trabalho olhando o rosto em camadas, e não em procedimentos soltos. E leio essas camadas de dentro pra fora, na ordem em que o tempo foi levando. Começo pela estrutura, porque é o osso que sustenta tudo. Quando a base cede, o rosto inteiro vem junto, como uma casa que começa a descer pela fundação. Depois eu olho a força dos músculos, porque com o tempo os músculos que puxam o rosto pra baixo ganham força demais, e é isso que traz aquele ar cansado e o olhar caído. Olho os ligamentos, que voltam a sustentar quando o volume certo é devolvido no ponto certo. E, por fim, a pele, que vai ficando mais fina, perde água com mais facilidade e é onde aparecem as linhas.
Ler o rosto assim, camada por camada, é o que me deixa decidir com você o que faz sentido, em que ordem, e o que ainda pode esperar. Uma coisa é enxergar tudo o que o tempo mexeu. Outra é escolher, com calma e uma coisa de cada vez, por onde começar, respeitando o que a sua pele aguenta hoje. Quando se começa pelo lugar errado, o resultado fica em cima de um terreno que ainda não estava pronto.
Na prática, isso quer dizer que a nossa primeira conversa é de olhar, não de fazer. Eu estudo o seu rosto, entendo o que o tempo foi levando, ouço o que te incomoda e o que te assusta, e te mostro o caminho inteiro, incluindo em que ordem cada coisa entraria e o que pode esperar. Às vezes a resposta honesta na primeira conversa é que hoje ainda não é a hora, que primeiro a gente prepara. Isso não é perder tempo. É o que permite que o resto aconteça com calma.
E se já aconteceu com você
Se você está lendo isso porque já fez alguma coisa de que não gostou, respira. Uma boa parte dessas situações tem caminho, e boa parte do que incomoda hoje se acomoda ou se ajusta com o tempo e com acompanhamento. O que eu não posso te dizer, e ninguém honesto deveria, é que o rosto volta exatamente ao que era, porque o rosto continuou vivendo nesses meses todos. O que eu posso é olhar o que está ali hoje, com você, e pensar o caminho daqui pra frente. Por isso mesmo, a decisão de agora já é, de algum jeito, a correção de amanhã. Escolher devagar é mais tranquilo do que consertar depressa.
Vamos olhar o seu rosto com calma
Se você quer se cuidar sem correr risco de virar outra pessoa, o primeiro passo é uma avaliação facial. A gente conversa, eu estudo o seu rosto por camadas e decidimos juntas o que faz sentido, em que ordem, e o que pode esperar.
Agendar minha avaliaçãoSe tem uma coisa que eu aprendi nesses anos todos, amada, é que rosto bonito raramente é resultado de pressa. Ele é resultado de estudo, de ordem e de respeito pelo que já é seu. E você, tem pressa ou tem plano? Me conta.
