Dra. Camile Maes Agendar
Blog · Sobre o seu rosto

Dá para desfazer o preenchimento?
o que saber antes

Desfazer não é apagar o que passou. É voltar a ter escolha sobre o próprio rosto, com calma e com quem olha antes de mexer.

Faz um tempo que a palavra desfazer virou assunto. Você abre o celular, liga a televisão, e lá está mais uma mulher conhecida contando que decidiu tirar o que tinha feito no rosto. No meio de tanta história, é comum bater uma pergunta silenciosa, dessas que a gente pensa mas não fala em voz alta: será que, se um dia eu quiser, dá pra desfazer o meu também?

Se essa pergunta já passou pela sua cabeça, amada, eu quero te responder com calma. Porque ela merece uma resposta honesta, e não uma manchete. E a resposta honesta começa por um alívio: na maior parte das vezes, sim, dá pra desfazer. Só que a resposta inteira tem alguns cuidados que quase ninguém conta.

Como o desfazer funciona de verdade

O material mais usado hoje nos preenchimentos é o ácido hialurônico. Ele tem uma vantagem enorme, que é justamente poder ser desfeito. Existe uma substância, uma enzima, que o corpo reconhece e que dissolve esse material aos poucos, deixando o próprio organismo reabsorver o que estava ali. É um processo relativamente simples, feito em poucos minutos, e o resultado começa a aparecer já nos primeiros um ou dois dias. Às vezes uma sessão resolve, às vezes precisa de mais de uma, dependendo da quantidade e de onde o produto estava.

Até aqui parece fácil, e em boa parte dos casos é mesmo tranquilo. Mas existe um detalhe que muda tudo, e é justamente o detalhe que a manchete não tem tempo de explicar.

O detalhe que muda tudo: o que tem lá dentro

Nem todo preenchimento é feito de ácido hialurônico. Existem produtos, principalmente aqueles que foram vendidos como definitivos ou permanentes, que não saem com essa enzima. Se alguém tentar dissolver um produto desses achando que é ácido hialurônico, não vai funcionar, e ainda corre o risco de mexer com o tecido à toa. Por isso, antes de desfazer qualquer coisa, a primeira pergunta que eu preciso responder não é quando, é o quê. O que exatamente está ali dentro do seu rosto.

E o único jeito honesto de saber isso é olhando. Não dá pra adivinhar pelo lado de fora. Então, antes de encostar em qualquer coisa, eu encaminho você para um exame de ultrassom da face, feito por um profissional que eu indico e confio, que mostra o que está no seu rosto e em que lugar está. Só depois de saber o que tem lá dentro é que a gente conversa sobre o caminho.

Antes de desfazer, eu preciso saber o que tem lá dentro. Desfazer no escuro não é cuidado, é sorte.

Nem sempre desfazer é a única saída

Tem uma coisa que eu vejo com frequência e que talvez te alivie. Muita mulher chega decidida a tirar tudo, e quando a gente olha o rosto com calma, descobre que o que incomodava não era exatamente o produto. Era o produto no lugar errado, ou o produto sozinho, sem o resto do rosto conversando com ele. É como uma peça de roupa bonita que fica estranha só porque está desalinhada no corpo.

Nesses casos, às vezes o caminho não é tirar, é reequilibrar. Outras vezes é tirar mesmo, e está tudo bem também. O que importa é que essa decisão nasça de olhar o seu rosto inteiro, e não da pressa de resolver o incômodo de hoje. Desfazer com pressa, sem entender o que gerou o desconforto, tem tudo pra virar mais um capítulo de arrependimento lá na frente.

O que eu não posso te prometer

Preciso ser sincera com você numa coisa, porque acho que sinceridade é a base de tudo isso. Eu não posso te garantir que o seu rosto volta exatamente ao que era antes. E ninguém honesto deveria prometer isso. O motivo é simples: o seu rosto não ficou parado nesse tempo. Ele continuou vivendo com você, dia após dia. O que eu posso é olhar o que está ali hoje, com você, e pensar juntas o caminho daqui pra frente, com respeito pelo que é seu.

A mesma leitura que evita é a que corrige

Reparei, nesses anos todos, que o desfazer bem feito usa exatamente o mesmo cuidado que teria evitado o problema lá atrás: olhar o rosto por camadas, e não em pedaços soltos. Eu leio o rosto de dentro pra fora, na ordem em que o tempo mexe com ele. Primeiro a estrutura, que é o osso que sustenta tudo. Depois a força dos músculos. Depois os ligamentos, que seguram o rosto no lugar. E, por fim, a pele. É essa leitura que me diz se o incômodo vem de um excesso que precisa sair, de uma falta que precisa ser reequilibrada, ou das duas coisas ao mesmo tempo.

Quando a gente entende isso, o desfazer deixa de ser um susto e vira o que ele sempre deveria ser: uma forma de você retomar o controle do seu próprio rosto, com quem olha antes de mexer. O objetivo nunca é te transformar em outra pessoa, nem na correção. É te devolver a harmonia que já é sua, para que você se reconheça de novo no espelho.

Vamos olhar o seu rosto com calma

Se você pensa em desfazer ou corrigir alguma coisa, o primeiro passo não é mexer, é olhar. Numa avaliação facial eu estudo o seu rosto por camadas, entendo o que te incomoda e, quando é preciso, encaminho o exame que mostra o que há ali dentro. Aí, sim, decidimos juntas o melhor caminho pra você.

Agendar minha avaliação

Se tem uma coisa que eu queria que você levasse desse texto, amada, é que arrependimento não é sentença. Quase sempre existe caminho, e o caminho começa com alguém olhando o seu rosto com calma antes de tomar qualquer decisão. E você, já tinha pensado nisso desse jeito? Me conta.